S.D.S R.E.S

Sessão de Desenho de Sexta de Rubens Espírito Santo

JAN/2019

Reflexões depois da sessão de desenho de RES - 11.jan.2019

Anna israel

13.jan.2019



 

  1. O desenho aqui é uma força altamente ativa e pós extrativista, onde RES organiza uma situação e leva ela até um limite, um limite de atividade que não é mais gerenciada por ele, mas gerenciada pelo própria pulsão em outra sintaxe de linguagem. Ao contrário de uma extração de algo, ou de uma situação em que RES “espera algo do desenho”, há aqui o inverso, uma doação de si para que um calor originário possa ser sentido na pele de quem presencia o acontecimento - como a CCS colocou em seu texto, uma catarse. Res desenha a serviço da catarse, a serviço de que o homem possa voltar a adentrar a carnatura da vida, mesmo que seja por um instante. 

  2. O desenho é na verdade um agente de deslocamento do desejo. Res ficciona a tal ponto sua vida, que seu desenho se torna um dispositivo (ou um agente) que desloca o desejo, desloca a libido em sua direção - isto é, em sua direção, mas a direção não se trata propriamente da superfície do desenho, a direção que res desloca a minha libido e o desejo é na verdade à própria coisa sem nome que acabamos por nomear de “desenho”. É fascinante ter o desenho enquanto esse objeto que podemos nomear enquanto desenho - o desenho está lá servindo algo, ele está salvaguardando algo, está lá enquanto uma coisa que existe para dar pele a um símbolo. O desenho tem a força de suportar ser chamado de algo enquanto alicerce para que possamos criar recursos para poder falar daquilo que não dá pé. 

  3. O objeto INSENSIBILIZADOR “Zilka”. O sintoma se transverse de muitas coisas, pode se transvestir de uma mulher com peitos grandes e cinta liga e decote, pode se transvestir em uma criança, em uma bolsa da Gucci, em uma grande coleção de arte; todos esses não se tratam do sintoma, mas são displays do sintoma. A questão que considero genial aqui é que não se trata de destruir o sintoma, já que isso seria impossível, mas deslocar o display do sintoma para um outro display que seja tão sedutor quanto aquele já configurado. Acho que aí entra esse objeto, o insensibilizador, no caso - assim como toda série de desenhos de res são invenções constantes de novos displays sedutores para o sintoma, para que o sintoma não vaze e arranje seu próprio display (o que acontece na grande maioria das vezes). Rubens entendeu que o fazer tem que ser sedutor - aí acredito que seja uma das fontes de tamanho calor: na fricção do deslocamento do display do sintoma, na batalha para mover uma cadeia genética de lugar.

  4. A manobra é muito sofisticada: res transforma uma pulsão de morte em uma pulsão de vida - transforma a energia de destruição do homem em uma energia de criação, de invenção, de obra - de invenção constante de si mesmo. E assim faz isso também no próprio desenho: utiliza um instrumento de morte em série e o subverte para gerar vida, o subverte enquanto instrumento de vida, de desejo, de libido, de motor, de calor. 

  5. Me parece muito mais proibido comprar essa arma para usá-la em um desenho. Mas o que é mesmo isso que chamamos de “usar em um desenho?” Qual é mesmo essa finalidade de utilização que está em jogo que é mais proibida que tirar uma vida de uma pessoa? Destruir é sem duvida muito mais fácil que construir, e para que o sistema do capital possa continuar girando, a morte diária do homem é necessária. É necessário que matemos o outro para acharmos que estamos crescendo e o próprio desejo de crescimento é uma manipulação perversa que na verdade garante a nossa condição de zumbis diariamente. O que então esses desenhos propõem é justamente o enfrentamento - e por isso eles se tornam uma força tão poderosamente ativa - desse sistema. O proibido que está em jogo na compra e na utilização dessa arma é justamente pois ela está matando o próprio RES, ela está sendo usada para aniquilar um sistema que corre em nossas veias e nos oprime diariamente. A Zilka não está perfurando o papel, mas está perfurando o colonialismo do brasileiro, está perfurando o holerite, a casa própria, para que possa vazar o espírito atrofiado no homem. A Zilka está sendo usada como instrumento de subverter as leis não somente do nosso tempo, o Capital, mas para subverter a lei capital do sintoma.

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