Aula do Méthodo R.E.S

Devir mulher

03/10/2019

MG



 

“ Ser mulher é uma construção tremenda. Você não acha na rua ser mulher,

você não acha debaixo da cama ser mulher,...”

Lista de 24 de setembro, reflexões obsessivas de RES

Relatório em agradecimento dedicado ao devir de qualquer coisa,

seja ele homem, mulher, animal, orquídea,

 

Devir mulher,

É um ato de responsabilidade, é um ato de apropriação. Ter uma buceta não significa ser uma mulher. A buceta é um órgão a ser explorado, a ser apropriado, é um órgão do futuro. No momento em que nasci, eu já possuía todos os meus óvulos. Eles já estão todos lá.

 

Alguém já pensou filosoficamente sobre isso? Os óvulos não se formam durante a minha vida, eles só amadurecem no momento em que o corpo considera se pronto, na puberdade ativado por uma substância liberada pelo cérebro.

Como ser mulher se não me aproprio nem mesmo de minha buceta? Não entro em relação com ela, não sei de seu funcionamento interno, dos órgãos que a constituem não penso sobre seus mecanismos orgânicos,

Pensar profundamente sobre os seus fluídos, os seus cheiros, os seus pelos, as suas camadas, a menstruação. Se a minha buceta literal é totalmente administrada, o que será de minha outra buceta? É simples, bem simples! Ela não existe!

Deleuze fala de um devir, um devir é sempre algo desconhecido. Existe o dado, o que ele chama em francês de "étalon" vazio, ou seja, um padrão vazio, que corresponde a uma ideia: ser humano, macho, cidadão das cidades. É o que chamamos de” a maioria" e segundo ele, existe a possibilidade de cair fora deste padrão, de tornar se uma minoria, seja mulher, criança, animal. Em outras palavras, uma possibilidade cavada a unhas e dentes de transgredir uma engenharia instaurada, uma ideia vazia, sem sentido. Tornar se uma mulher é tão difícil para um homem, como para uma mulher, saber conversar com o outro sabendo que não se pode comunicar, que se comunica mais quando não se está querendo comunicar nada.

É da ordem do absurdo, foge a imensa vontade que temos de entender. O corpo entende mais, é mais ligeiro, escorrega numa fala lancinante para a razão. Os sinais do corpo apontam a direção, lançam dados sobre o percurso, percorrem a distância que existe entre a vontade de e simplesmente FAZER, ir fazendo até o fazer levar mais longe, ir ouvindo a fala que acontece de súbito, que não pede licença, que atropela a ordem, reajusta o ponteiro, faz o ritmo!

 

O que estou mesmo querendo capturar nessas palavras? Dona Anna é minha faxineira, a mulher que limpa a minha casa. Essa semana Dona Ana autorizou se a comer na minha mesa, essa semana também troquei a tampa da privada do banheiro que ela usa. Por meses insisti para Dona Ana sentar a minha mesa para comer seu almoço e nada. Ela comia sentada no pequeno degrau da área sempre alegando sentir muito calor na cozinha e aquilo me incomodava muito. Quando decidi fazer algo que diz respeito a minha casa, o lugar onde eu moro, a me apropriar do banheirinho da área. Dona Ana por algum motivo sentiu vontade de sentar a minha mesa para comer, e para mim foi uma honra. Mas o que isso têm a ver com tornar se mulher?

 

Penso que tudo! É um exemplo muito simples de uma fala que não está apenas querendo informar, que está se estrebuchando, mas que de repente por meios desconhecidos, passa por debaixo da terra e chega a seu alvo, sem que haja necessidade de pronunciar uma palavra! De alguma maneira também, tornar se mulher passa por não ser mais um ser moral, pois seguir a moral ainda é pertencer a uma maioria vazia. Ser moral é seguir um script de ações consideradas de bom tom para uma maioria, mas se essa maioria não existe de fato é óbvio que isso é uma furada! Ser mulher é acordar no silêncio da manhã, ouvir o canto dos pássaros e saber que você tem responsabilidade em se apropriar desse canto, usá-lo como material de volição.

 

É decidir-me hoje, mais uma vez que vou viver minha própria vida custe o que custar!

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