Luca Parise é artista, trabalha e estuda no Conglomerado Atelier do Centro (C.A.C), onde também exerce a função de contador, professor e membro do OPCAC.

É operador técnico de novas tecnologias de contato humano e digital da plataforma de aprendizagem técnico-virtual do artista, pedagogo e pensador Rubens Espírito Santo (R.E.S). Morou em Berlim, onde frequentou aulas na Universität der Künste (UDK) e é graduado em Ciências Atuariais na FEA/USP. Participou de exposições como SARP, Salão de Piracicaba e da SP Arte 2019 com o trabalho A Máquina de Desenho pela Galeira Aura.

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Relato 21 - 16.12.2019 - premià de Mar 

Luca Parise 

C.A.C. 



 

  1. Por do sol e o nascer do sol, são dois momentos que os deuses descem à terra e a camada intransponível que nos separa fica, temporariamente, mais fina.

  2. Organização - o que quer dizer isso ? 

  3. Doença é uma forma de organização - tanto a manifestação dela, como a gestão dela: de uma garganta inflamado, um tendão, à uma falta de tiroide. Talvez seja umas das ferramentas de organização mais poderosas , pois ela é  alheia ao que meu desejo consciente , as minhas coisinhas . Os deuses e a doença comungam um desinteresse muito próprio 

  4. Saber ouvir esse “desinteresse” é algo fundamental para se organizar: o que está sendo pedido de mim? O que me cabe? O que NÃO me cabe e devo abrir mão imediatamente? 

  5. É sensacional como que RES e Jung fizeram uma leitura muito próxima de um aspecto do Nietzsche:  Jung diz, em suas memórias, que faltou a Nietzsche uma organização aqui na terra: um casa, rotina, esposa, jornal, “coisinhas” - coisas que o mantivessem nesse plano - mas ele não as tinha e os “deuses o levaram”. Nietzsche era homem e não tinha asas para acompanhar aos deuses sucumbindo à loucura. Faltou uma organização a Nietzsche para não ser levado. 

  6. A coleção de carrinhos de miniatura de RES  está ligada diretamente a uma organização essencial para existir um livro de 400 páginas 

  7. Cada vez mais , organização me parece ser o que há de mais essencial para poder se conhecer: Jung relata que o primeiro “mergulho” que ele deu ao “fundo” foi durante a primeira guerra - ele tinha 39 anos - 3 filhos, uma casa, publicado livros, etc. Se organizar leva tempo 

  8. A palavra “organização” como é colocada por RES, não é algo acessório , uma atividade de suporte, secundária. Temos a ideia que nos organizamos para algo , para um fim - como se logo depois do verbo organizar, fosse exigido um objeto - me “organizar para ir ao Cinema” - isso não tem a ver com a organização proposta pro RES. Acredito que nem se organizar para se conhecer faça sentido. Organização não pode estar definida para algo - se não ela é predatória.

  9. RES não se organiza para a Sessão de Sexta - nunca ouvi uma vez, dentre as milhares de vez que fiz contabilidade uma frase do tipo: “alemão, vamos resolver essa contabilidade pq sexta tem desenho” - isso seria muito predatório com a contabilidade e muito paga pau para a Sessão de Sexta

  10. Ser predatório e ser paga pau são duas faces de uma mesma moeda. 

  11. Organizar escapa dessa lógica  de predar ou ser paga pau - é uma atividade atávica a própria vida - uma flor é organizada, o por do sol é organizado , as abelhas são organizadas - as orquídeas e os ratos são organizados

  12. Organização , está ligada a capacidade de escuta interna (e externa)

  13. Rubens um dia me perguntou se eu sabia por que eu não tinha um livro de 400 páginas sobre a minha obra - não faltam motivos,  mas a resposta de RSS veio de outro lugar: “por que se eu tivesse esse livro, ele subiria a minha cabeça” 

  14. Organizar está muito ligado a uma lição de casa que cada um tem que fazer para poder crescer, se expandir - sem subir a cabeça (anti paga pau)

  15. Com certeza, uma espécie de exaustão mental e física de fim de ano contribui para isso, mas eu não me sinto tomado por uma excitação em relação a exposição na galeria Zielinsky - fico muito feliz, mas não é algo que sobe a cabeça - ela só vai acontecer, por que se ela deixar de existir (não acontecer por qualquer motivo) não vai ser algo que vai me perturbar. 

  16. Isso é muito sério, pois percebo as inúmeras coisas que eu gostaria, mas não tenho por que não suporto elas, elas subiriam a minha cabeça: por exemplo, eu não tenho uma independência financeira dos meus pais, pois eu não suporto isso hoje , eu não estou organizado para saber lidar com o espaço que isso vai abrir em mim (apesar de pouco a pouco estar me organizando) - onde eu não estou organizado e isso faz com o que eu não suporte ganhar todo o dinheiro que eu gostaria? 

  17. Paga pau 

  18. Predatório 

  19. Misoginia / machismo 

  20. Arrogância

  21. “Complexo do preterido” 

  22. Tendência evitar conflito 

  23. Estupidez emocional - não ouvir o outro (não ouvir a mim mesmo) 

  24. Miséria - carência - falta total e querer preenche-la , não ter a violência para deixar a ferida aberta mesmo 

  25. No fundo, o caminho do discípulo é uma luta muito dolorosa, é caminhar para um lugar que vai contra tudo que EU criei de mim, é desossar o próprio corpo, ainda vivo , até um ponto que não reste nada do que eu entendo por MIM, o que restar é o que sou , o que me cabe. 

  26. O Mestre é quem tem a faca e se desossou , sabe onde e como cortar, mas eu tenho que sangrar a minha própria carne - é o único modo

  27. Eu não consigo exprimir o quanto que eu sinto na pele que essa exposição na galeria , a forma de se relacionar com ela e o espaço que ela ocupa em mim é estrangeiro, está ligada à uma construção do Luca discípulo, do Méthodo - e  só por isso que está acontecendo - sinto muito distante de um lugar conhecido meu 

  28. É realmente doloroso perceber o quanto eu trabalho contra mim, o quão apegado eu sou a mim mesmo - e é realmente um evento muito raro, ter alguém que possa me apontar isso e possibilitar que eu faça coisas que me escapam. 

  29. Barganha #27 - me levar menos a sério !!!

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