Anna Israel é artista, professora e escreve sobre arte.

 

É integrante do Conglomerado Atelier do Centro (C.A.C) fundado por RES (Rubens Espírito Santo), onde, como operadora técnica de novas tecnologias de contato humano e digital, aprofunda sua formação e pesquisa. Foi graduada em artes plásticas pela FAAP e em 2014 fez um curso intensivo de cinema na NYU.

 

Participou de exposições coletivas no Tomie Ohtake, CCSP, Museu Oscar Niemeyer, MARP, entre outros e, em 2017, fez uma exposição individual na Central Galeria.

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Observações de Anna Israel

Do ano que passou e do ano que entrou hoje

01 de janeiro de 2020



 

  1. Cena que me marcou muito no fim do ano: morador de rua pegando as minhas roupas que rés deixou no portão do G2 - escolhendo o que levar, vestindo um casaco meu

  2. Japonesa sem o seio no Onsen tomando banho - caminhando nua pelo lugar

  3. Viagem a Düsseldorf - troca de olhar com menino na escola enquanto eu estava no trem 

  4. Duas meninas de provavelmente 15 anos sentadas na praia no nascer do sol da entrada 2020 - as 5h30 da manhã. As duas de casaco moletom grande, sentadas em uma toalha, cada uma olhando para um lado. No tempo todo que fiquei esperando o sol aparecer, elas estavam lá sentadas sem falar nada uma com a outra

  5. Poder de cura da água do mar - sem dúvida nenhuma a água do mar tem um poder. Hoje estava me sentindo mal, com dor de cabeça e com um energia muito estranha. Foi literalmente entrar no mar que meu corpo se alterou de imediato! Água estava fria - mas não gelada. Meu corpo parece que se abriu todo quando eu mergulhei, mesmo como um expurgo , ou ainda como se algo muito poderoso tivesse sido injetado nele. A água do mar não é “água do mar” - é a seiva de uma entidade essencial para a vida humana. 

  6. A natureza não é nada do que pensamos dela.

  7. Tem muitas cachoeiras em Cunha 

  8. Virada do ano de 2019 para 2020 - assisti os fogos ao lado da minha avó, a segurando no ombro. Um momento, ela virou o rosto para mim, e nos olhamos, achei que ela ia falar algo, mas ficou olhando de forma muito profunda no meu olho, e depois virou de volta para ver os fogos. O que mesmo que nos falamos naquele momento? Foi uma das falas mais impactantes que já ouvi na minha vida toda da minha avó. Foi algo do além. Não era ela falando naquele momento , não havia sorriso, não havia nenhuma expressão usual dela em seu rosto, só me olhou muito intensamente por alguns segundos, e depois voltou - essa fala marca muito a entrada do meu ano. Sinto que ela estava me confirmando algo muito profundo sobre mim, sobre o meu caminho dentro da nossa história - meu Deus ! Como esse momento foi sério para mim - como tantas coisas podem ser ditas de modos tão diferentes! E o que me levou a ir até ela naquele momento ? Não estava próxima dela, fui caminhando em sua direção e parei ao lado dela para ver os fogos. Dei um beijo na testa dela - porque eu dei um beijo na testa dela ? Quem deu esse beijo ? Dei esse beijo um pouco antes dela se virar e me olhar. Que diálogo absurdo foi esse meu com ela! 

  9. Fala da namorada do meu irmão para ele na frente de muitos da família na praia depois que meu irmão respondeu uma pergunta do meu pai por ela, ela disse “nãoprecisa responder por mim, eu mesma posso responder por mim” Respeito que criei por ela nessa viagem. Mundo dela é completamente diferente do meu - mas ela não é uma idiota, e ela é bem dedicada às suas coisas. 

  10. Ser menos preconceituosa - sobretudo de situações. Não pressupor tanto as coisas. Deixar as coisas acontecerem. Lançar o dado. Acreditar mais no lugarinconfessável do outro

  11. Ser mais ousada - mais ridícula. Abandonar o esperado e entrar mais no meu inesperado . Começar de forma literal, foda-se. Não tem forma perfeita - tem só é que existir uma forma 

  12. Cena da minha tia no café da manhã folheando o Livro LILA R.E.S - ela folheou o livro inteiro. Com muita calma - perguntou sobre muitas imagens. Como cada um se relaciona com esse livro. Depois me agradeceu algumas vezes pelo presente. 

  13. Fiz uma trança no cabelo comprido da minha prima Ana Luiza - ela tem 16 anos, um olho lindo azul e um cabelo bem escuro. Mora no Rio. Apesar da idade ela é uma menina muito pura, como se tivesse muito pouco contato com o perigo - filha do tio Tomás. Pedi para fazer uma trança nela na praia. Ela ficou êxtase quando pedi para ela isso. De novo, tivemos uma comunicação nesse momento muito sutil. Não sei o que mesmo ela entendeu com eu fazer essa trança nela, mas isso a deixou muito feliz - como um reconhecimento. 

  14. Perguntas do Vavá sobre o Rubens (RES) - como o Vavá se refere a RES: “Ele”. Em algum momento da viagem, sempre tem o momento em que o Vavá se aproxima de mim e pergunta, “e como ele está?”. De quem mesmo que o Vavá está perguntando. 

  15. Águas vivas no mar de laranjeiras - uma coisa nova. Por que isso se deu? Relação disso com mudanças climáticas ?

  16. Descansar - tem a cabeça mais vazia de seus problemas; de picuinha, de neurose. Não é pra qualquer um. Descansar é quase um trabalho . 

  17. Fala hoje do meu pai para mim , de algo que eu não podia ter falado sobre seu trabalho. A feição dele se alterou totalmente. Ele não se exaltou, nem ergueu seu tom de voz, só falou que eu não podia ter falado o que falei, mas sua fala com tão cortante, que ele foi capaz de falar muita coisa em uma frase só - finalmente conheci o banqueiro José Olympio. Sua fala naquele momento estava apropriada de muita coisa, de muito contexto, de um estar muito específico no mundo. Eu senti medo. Ou melhor, não foi medo , me senti infantil, me senti doméstica, me senti fora do mundo naquele momento. Foi foda.

  18. Uma coisa fundamental para a fala é estar no mundo: isso dá carnatura à fala de uma pessoa, insufla a fala de muito contexto, a fala se torna quase um assassinato - a fala possui um contexto muito real, muito material, muito pratico. RES é sem dúvida total um cara do mundo eminentemente pratico !

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